terça-feira, 28 de setembro de 2010

Iberê Camargo

Exposição propõe viagem pelas lembranças de Iberê Camargo
“Os Meandros da Memória” apresenta o olhar do curador francês Jacques Leenhardt sobre a trajetória do pintor, a partir de suas lembranças.
Mostra comemora os 15 anos da Fundação Iberê Camargo e estará aberta ao público de 2 de outubro a 3 de abril de 2011.
“Iberê Camargo – Os Meandros da Memória” remete a um clima que impregna toda a obra do pintor, conferindo às lembranças um grande papel organizador. O artista é tomado por essa nostalgia ainda na infância, época em que as imensas paisagens solitárias do Rio Grande do Sul imprimem-se em sua memória, com os trilhos do trem correndo para longe e os fios do telefone pontuando esses espaços sem limites. Eles são para ele uma metáfora da existência humana, a do passante solitário, a do andarilho, que avança por uma estrada cujo horizonte se vai afastando. Comparável ao andarilho, o pintor defronta-se com uma solidão reforçada pela marcha inexorável do tempo. ”O tempo transforma as coisas que amamos – dizia Iberê – e nos afasta irremediavelmente do pátio de nossa infância para onde aspiramos retornar”.
Um passeio pelas lembranças de Iberê Camargo é a proposta do curador francês Jacques Leenhardt na exposição que marca o 15º aniversário da Fundação que leva o nome do artista. As 52 obras expostas – 14 pinturas, 30 desenhos, 7 gravuras e uma foto - serão apresentadas ao público no quarto andar da instituição a partir de 2 de outubro até 3 de abril de 2011. Para desenvolver o trabalho, o filósofo e sociólogo Jacques Leenhardt, diretor da Escola de Altos Estudos Sociais em Paris e presidente da Associação Internacional dos Críticos de Arte (AICA), se debruçou sobre um grande volume de documentos, cartas, entrevistas e textos literários, principalmente sobre o livro de memórias Gaveta dos Guardados, escrito pelo artista e recentemente relançado pela editora Cosac Naify. “A relação com o passado, como um mundo feliz e desaparecido, dá sua nota de melancolia a uma das buscas pictóricas mais consequentes e solitárias da pintura brasileira dos últimos 50 anos”, diz Leenhardt.
Para o curador, a busca pelo tempo perdido perpassa todas as temáticas trabalhadas pelo artista ao longo de sua carreira encerrada com a sua morte em agosto de 1994. Leenhardt retraça os grandes momentos que marcam o ritmo da evolução do artista, especialmente a partir do período de estudos, nos anos 40, em Roma, com o pintor italiano Giorgio De Chirico. “O clima do período metafísico de De Chirico, entre 1910 e 1920, impressionará a tal ponto o artista que ele passará a ver ali seu próprio mal-estar e desenvolverá daí em diante muitos temas familiares. Em minha opinião, o contato prolongado de Iberê com De Chirico é tão importante para a sua arte quanto os procedimentos técnicos que ele pôde aprender com o artista, e muito mais determinante para a evolução formal da sua produção do que os cursos que ele fez em Paris com André Lhote”, complementa. “Com De Chirico eu sinto uma afinidade porque ele também expressou a solidão e o mistério que envolve as coisas”, escreveu Iberê.
Nesta exposição, o curador dá uma importância particular aos desenhos – a maior parte deles exibidos ao público pela primeira vez – “pois revelam, de maneira espontânea, a sua visão trágica da vida, além de mostrar a insatisfação com a finalização de suas obras. Através do desenho, o artista libera-se do que há de definitivo e mortífero na obra acabada”.
Na série Os Carretéis, Leenhardt procura mostrar a perda da estabilidade dominante no começo, que se transforma num desequilibro. Também é enfatizado o papel do manequim, “meio corpo vivo, meio corpo mecânico, entre vida e morte” e os autoretratos. “Iberê sempre tentou fixar a sua imagem. A técnica da caneta que vai e vem, como no retrato da capa do catálogo da exposição, leva a impossibilidade de produzir uma imagem definitiva, em vista do ser humano ser demasiado complexo, contraditório, inquieto”.

SERVIÇO:
Exposição: Iberê Camargo - Os Meandros da Memória
Curadoria: Jacques Leenhardt, filósofo e sociólogo, diretor de estudos da Escola de Altos Estudos Sociais, em Paris, e presidente da Associação Internacional dos Críticos de Arte (AICA)
Inauguração: 2 de outubro, às 11h, no átrio da Fundação
Visitação: de 2 de outubro a 3 de abril de 2011
Inicio: Terça a domingo, das 12h às 19h e quinta, das 12h às 21h
Local: No quarto andar da Fundação Iberê Camargo
(Av. Padre Cacique, 200. Porto Alegre)
Entrada Franca: As empresas Gerdau, Itaú, Camargo Corrêa, Vonpar e De lage landen garantem a gratuidade do ingresso
Informações: 3247.8000 ou pelo site http://www.iberecamargo.org.br/

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